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Overstatements

Ric Jo | 6 de Novembro de 2008

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O que aconteceu na madrugada de ontem foi, de facto, um momento histórico. Mas foi um momento histórico simplesmente porque Obama foi o primeiro Afro-Americano a ser eleito para Presidente dos Estados Unidos e não porque o Super-Homem tenha chegado ao lugar mais poderoso do Mundo. Dizer-se que esta eleição marca o fim, ou início do fim, do racismo e achar-se que brancos e negros passaram-se a dar sem problemas de forro racista, da noite para o dia, é uma autêntica utopia. Fez-se história, sim. Mas não se aboliu o racismo nem ele deixará (infelizmente) de existir. Acredito em mudanças na direcção política dos E.U.A. e consequentemente na direcção política do Mundo, mas não sou ingénuo ao ponto de pensar que a partir de agora vai ser mais fácil a um negro obter emprego ou simplesmente ser tão respeitado como um branco nos E.U.A.. E isto para não falar noutro overstatement que é acreditar-se que de repente todos os males terão solução e que todas as soluções a serem apresentadas serão boas. Obama é Humano. E Ser Humano erra.

Apesar disto tudo, agora é tempo de saborear, acima de tudo, a onda mais liberal e tolerante que soprará por Washington.

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Hipócritas

Ric Jo | 20 de Maio de 2008

É o que se pode chamar àqueles que sobremaneira se preocupam publicamente (i.e. em colunas de opinião, escritas ou faladas) com os estudantes que passam uma semana inteira do seu ano Académico a apanharem borracheiras nas Queimas da Fitas, “estudantes esses que um dia vão estar à frente dos destinos de Portugal”.

Aquele que nunca viveu o que poderia e deveria ter vivido na altura certa da vida, que venha atirar a primeira pedra. Hipócritas de merda.

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Mais vale tarde do que nunca

Ric Jo | 3 de Abril de 2008

Apesar de já ser dia 3 de Abril, cá fica o verdadeiro conjunto de mentiras do primeiro de Abril deste ano. Muito me apraz ver a serenidade com que Mariano Gago encara a realidade de que a larga maioria dos recém Licenciados e Licenciados de Portugal são empregados maioritariamente no ramo do comércio e hotelaria, i.e. shoppings:

“É verdade que muitas vezes, e muitos jovens sentem isso, o primeiro emprego não é aquele que gostariam de ter”, ressalvou, frisando logo de seguida que, “ao fim de um ano de saídas do ensino superior”, não existe “ninguém desempregado”. , in Publico, 3 Abril 2008

Então o título de um estudo internacional que hoje foi publicado, é mesmo para rir:

“Portugal é dos países onde é mais vantajoso tirar um curso”, in Publico, 3 Abril 2008

Parece-me a mim, claramente, que estes Ministros e alguns Deputados vivem confinados no seu mundo, dentro das paredes dos seus gabinetes e do hemiciclo, não conhecendo a realidade do país que gerem. E assim sendo, nunca sairemos da cepa torta. E se alguém tiver que sair verdadeiramente de algum lado, teremos de ser nos jovens, isso sim, a sair do país à procura de quem nos dê oportunidades noutros lados.

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Live promotion

Ric Jo | 9 de Julho de 2007
Tenho para mim que estas cenas do Live Earth e Live 8 são desprovidas de conteúdo e genuinidade, dadas mais à auto promoção do que verdadeiramente à luta pelas causas em causa. São os organizadores que lucram através do aumento da sua popularidade e influência no mundo social e político e são as bandas que lucram com o aumento exponencial das vendas dos seus discos, ou canções em mp3, como agora parece mais propício dizer, após cada concerto. Gostava que apresentassem dados concretos de soluções criadas para combater a pobreza e a poluição em consequência dos concertos organizados. Bem sei que por altura do Live 8, conseguiu-se diminuir um pouco mais a dívida de África, mas esse tipo de acções consegue-se também à volta da mesa, em conversações e em pressings da comunicação social e consequentemente, da opinião pública. Não através de concertos de muitos artistas que se estão verdadeiramente a cagar para a fome em África ou para a poluição no mundo. Quantos kilos de CO2 não terão sido gastos pela maioria dos artistas que actuaram no Live Earth aquando das suas deslocações via jets privados, etc? Dou mais valor a uma manifestação (pacífica) por alturas das reuniões do género do G8, ao invés deste folclore todo que promete tudo mudar e nada muda.
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Democratização da Música

Ric Jo | 25 de Maio de 2007
“O ipod veio democratizar a música”. É uma frase que se ouve e se lê constantemente. E é verídico. De facto nunca se ouviu tanta música como actualmente e isso em grandessíssima parte se deve aos leitores de mp3 em geral e ao ipod em particular. Nunca se viu tanta gente com phones nos ouvidos. Novos e graúdos, quase toda as pessoas têm um par de phones enfiados nos ouvidos e vários álbuns ao alcance da mão, em qualquer sítio e a qualquer hora. E quando a indústria da música descobrir como tirar proveitos desta sua omnipresença, todos sairão a ganhar. Para já, somos nós ouvintes/clientes dessa mesma indústria que nos deleitamos com a grande acessibilidade à música que o mp3 nos proporcionou. Agora é-se possível ir a um festival de música e conhecer de antemão todas as bandas presentes em palco, sem ter-se gasto um único tusto em levar a avante tal processo. A democratização da música torna-se assim em algo que me agrada bastante, pois acho que todos deveriam ouvir o máximo de música possível. Dessa experiência só se pode tirar efeitos positivos.

Mas nesta história da democratização da música, há um aspecto que pode ter efeitos negativos (em comunhão com a audição com volume excessivo) e que pode acontecer em qualquer altura, ao melhor estilo de um sketch de um qualquer programa da Britcom… lol. Esta imagem veio-me à cabeça na última viagem de comboio que efectuei na última semana, aquando do anúncio de que o Bar do Intercidades estava já ao dispor dos clientes. A verdade é que, pelo menos na minha carruagem, 99% das pessoas não ouviram tal mensagem, pelo facto de precisamente terem uns phones nos ouvidos. E assim era por duas razões: dada a democratização da musica e dado o facto de o Campeonato Nacional se decidir naquele preciso momento, ou seja, ipods e rádios estavam a bombar a fundo. E no meio daquilo, ninguém se apercebeu da mensagem do pica do comboio. Nada de grave, claro. Neste caso. Mas imaginemos então que ele estaria a anunciar um atraso de várias horas devido a um acidente na linha. Ou mesmo um incêndio numa das carruagens. A mensagem passaria de forma incólume. Ninguém ouviria e a coisa passava-se. Claro está que esta seria uma situação extrema e cómica. E pouco provável, até. Tal como um sketch de comédia. Mas este pensamento cómico leva-me a outro um pouco mais sério: a sociedade encaminha-se inevitavelmente para uma individualização. Se a TV, o computador ou a Playstation em casa já contribuem para tal, a democratização da música contribui da mesma forma. A tendência para se passar uma viagem a conversar (algo que eu por acaso nem curto…) é uma tendência cada vez mais ténue. E é apenas um dos vários efeitos secundários dessa mesma democratização.

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Blogosfera no Feminino

Ric Jo | 18 de Maio de 2007
Anda em voga uma verdadeira onda de feminilidade na blogosfera nacional (ver sexualidadefeminina.blogspot.com, por exemplo), com repercussão em inúmeros meios de comunicação social. Esta onda culmina com a Edição do livro Fantasias Eróticas: Segredos das Mulheres Portuguesas (precedido por inúmeros livros Femininos com origem na blogosfera - O Meu Ponto G, entre outros). Apesar de este poder ser um elemento de estudo muito interessante a nível Sociológico, fico com a sensação de que toda esta onde se gere por alguma necessidade de afirmação por parte das mulheres bloggers. E apesar de conseguirem dessa forma que se fale nelas, criando-se a ideia de haver uma legião feminina na blogosfera (como se houvesse necessidade de se distinguir uma blogosfera feminina e masculina para serem lidas e notadas), não consigo deixar de olhar para toda esta onda da mesma forma como olho para o 8 de Março. A Mulher em si merece toda a atenção e estima do mundo. Não deveriam precisar de se “sindicalizar” na blogosfera para garantir que assim seja.

* Imagem de Pedro Gonçalves

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Complexos…

Ric Jo | 9 de Maio de 2007
Não está aqui em causa a gravidade da situação e o bem que tantas manifestações fazem (e que cheguem a bom termo, é o que espero), mas questiono-me porque não terei recebido por altura do desaparecimento da Joana nenhum e-mail enviado por tanta gente que me tem na sua lista de contactos. Nem percebo porque não se deu também tanto tempo de antena ao caso da Joana nas TVs e rádios. Nem porque não andaram centenas de populares de lés a lés no Algarve à sua procura. Mais uma vez reafirmo: não está em causa a legitimidade de tais actos. Mas porque não se fez o mesmo aquando do desaparecimento da Joana? A mim parece-me um caso claro de complexo de inferioridade.
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Cerveja Sagres

Ric Jo | 7 de Maio de 2007
Não curto nada a nova imagem da Cerveja Sagres. Com a mudança efectuada pela Central de Cervejas, o acto que era o de agarrar uma mini com aquela imagem como que a puxar para o Estado Novo (tanto em voga agora), com as quinas em grande e pesado destaque, levava a que o consumo de uma Sagres fosse quase como um acto de exercício nacionalista (apesar de ser Escocesa, mas fingimos que isso não é verdade!), tipo “em nome da Nação, cá vai mais uma!”. Com esta nova imagem, isso deixa de existir. Agora é tudo tão limpinho e estilizado. Nada à imagem de Portugal. Bah.
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Cães danados

Ric Jo | 30 de Abril de 2007
De cada vez que oiço relatos nas notícias sobre ataques de cães a cidadãos, fico revoltado. Revolta-me a leviandade com que a maioria dos donos de cães de raças perigosas deixam em risco a vida dos cidadãos nos nossos espaços públicos. O caso da senhora de Felgueiras atacada por um Doberman é apenas mais um dos inúmeros casos de ataques, alguns dos quais mortais, a que o comum Português está sujeito. No caso da senhora de Felgueiras que foi atacada, trata-se de um ataque de um animal que conhecia a pessoa em questão. Mas se não fosse com ela, poderia muito bem ter acontecido com o electricista que se dirigia ao local para fazer umas reparações. E não fosse a insistência deste para que se prendesse o cão (lá está a leviandade com que tratam estas situações), muito provavelmente seria o senhor que estaria internado em estado grave a esta hora.
No prédio onde habito em Braga, existe uma família que há cerca de 1 ano e meio adquiriu um Rottweiler. Esta família, não cumpre de forma alguma a lei vigente no nosso país (DL n.º 314/2003 de 17 Dezembro, Artigo 7º:

Obrigatoriedade do uso de coleira ou peitoral e açaimo ou trela

1 - É obrigatório o uso por todos os cães e gatos que circulem na via ou lugar públicos de coleira ou peitoral, no qual deve estar colocada, por qualquer forma, o nome e morada ou telefone do detentor.

2 - É proibida a presença na via ou lugar públicos de cães sem estarem acompanhados pelo detentor, e sem açaimo funcional, excepto quando conduzidos à trela, em provas e treinos ou, tratando-se de animais utilizados na caça, durante os actos venatórios.

3 - No caso de cães perigosos ou potencialmente perigosos, para além do açaime previsto no número anterior, os animais devem ainda circular com os meios de contenção que forem determinados por legislação especial.

(…) ), passeando o cão de uma forma completamente anárquica, num local frequentado por dezenas de pessoas e dezenas de crianças, sem trela e sem açaime, sujeitando a todos um possível ataque feroz por parte do animal. Quando numa tarde ia a sair do elevador do prédio, dei-me de frente com o referido cão a correr em minha direcção e a saltar com as suas patas em cima de mim, enquanto me cheirava. E nisto a única coisa que o dono me disse, com um sorriso nos lábios, foi para eu não ter medo que o cão não me faria mal. O Doberman que atacou a senhora de Felgueiras conhecia-a desde cachorro. Que garantia haveria de me dar um cão com instinto predador, registado como raça perigosa e sem me conhecer de lado algum? Revolta-me esta maneira de estar e a irresponsabilidade total por parte dos donos dos referidos cães. A Câmara Municipal do Porto já deu passos no sentido de eliminar este tipo de perigos. Serão precisas muitas mais mortes para que a consciência dos donos de cães mude e os leve a cumprir a nossa legislação?

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Ser músico

Ric Jo | 20 de Abril de 2007
A campanha publicitária das Novas Oportunidades anda a provocar uma grande (e justificada, na minha opinião) discussão. Eu não vou entrar por aí, pois este artigo de opinião publicado n’A Lei de Murphy, explana em pleno a minha opinião sobre o assunto. Aqui vou-me cingir a uma pequena nota. Entre os vários spots publicitários existentes que andam a passar no pequeno ecrã, destaco o clip onde o protagonista é um Pedro Abrunhosa que não é músico. E a razão pela qual ele não é músico é porque não estudou para tal. Come again? Ouvi bem? Não estudou para tal?! Mas desde quando é que é preciso ter-se estudos para se ser músico de elevada qualidade?! Que curso superior tem Alex Turner (Artic Monkeys) ou Ed Vedder (Pearl Jam), por exemplo? A ideia elitista de que só tendo estudos pode-se ser competente em várias áreas profissionais, por si só é ridículo. Querer passar essa ideia para a área das artes, onde o que realmente conta é a criatividade da pessoa, tem ainda menos nexo. Fazer-se passar a ideia de que estudando e sem ter as qualidades artísticas inatas, alguém pode vir a ser um Picasso, é no mínimo ridículo. Só num país de canudos. [Imagem via Lei de Murphy]
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"Engenheiro"

Ric Jo | 12 de Abril de 2007
Comentando o comentário do Zélito à entrevista de ontem, acabei por proferir a minha opinião em relação a um aspecto particular da polémica em redor do PM. E porque pode ser pertinente a experiência vivida por alguém que passa mais ou menos pela mesma ambiguidade em relação à denominação do seu emprego (a minha experiência vale o que vale), reproduzo aqui o teor do meu comentário.

Só vou comentar a questão do título de Engenheiro. E faço-o apenas porque passo/passei exactamente pelo mesmo e faço-o como Engenheiro ou Licenciado em Engenharia, como queiram.

A verdade é que quando saímos de um curso de Engenharia, não há quem nos esclareça directamente qual a nossa situação relativamente à ordem dos Engenheiros. Pelo menos assim foi no meu caso. E quando tento saber se sou Licenciado em Engenharia ou Engenheiro, as próprias informações que Professores e colegas meus me dão, são contraditórias.

Eu, sendo licenciado num curso de Engenharia acreditado pela Ordem, confere-me o direito de ser chamado Engenheiro (não que isto me interesse pessoalmente, mas são questões que se põem aquando da impressão dos cartões da empresa, por exemplo), dizem-me uns. Outros dizem-me que não bastará isso, que teria que pagar a anuidade (que não é tão baixa quanto isso) e só assim me poderei denominar como Engenheiro. Há uns anos diziam-me que, acreditado pela ordem ou não, teria sempre que fazer um estágio e apresentar um relatório na ordem para ser engenheiro… Enfim, como podes ver, ninguém sabe ao certo. E eu, não sabendo de facto o que sou, escrevi no meu cartão da Empresa: Eng.º Biológico. Aliás, assim fez a empresa sem sequer me perguntar. A verdade é que o termo “Engenheiro” terá uma conotação legal, mas isso na prática (e quando digo prática, falo no trabalho, no dia-a-dia e não recorrendo aos DL , etc.) não tem qualquer tipo de distinção relativamente à inscrição na ordem ou não. Tenho um colega do trabalho que tirou um bacharelato em Engenharia. Ele vê-se como “Engenheiro” e eu vejo-o como tal também. Estou-me borrifando se ele é ou não inscrito na ordem (se bem que existe obrigatoriedade legislativa, mas na prática, no dia-a-dia do trabalho, as empresas privadas querem é um serviço bem feito e estão-se a borrifar para essas burocracias. Em instituições públicas, o caso não é o mesmo). E se formos entrar por essa via adentro, será um Licenciado em Educação um verdadeiro Doutor, no sentido legal da palavra? Não faço a mínima ideia. Nem me interessa. Apenas acho esta uma questão “menor”.

Isto tudo (e peço desculpa pela extensão das minhas palavras) para dizer que compreendo que em 93, e mesmo apenas tendo um Bacharelato, o então Deputado Sócrates tenha escrito como profissão: Engenheiro. Eu e milhares de Bachareis e Licenciados em Engenharia teriam feito exactamente o mesmo.

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Amanhã será mesmo uma 6ª feira Santa

Ric Jo | 5 de Abril de 2007
Diria mais, Santíssima!! Mas afinal, que feriado não é Santo? E enquanto o Público continua a sua cruzada contra o Primeiro Ministro, seja pela posição assumida pela CGD na OPA da Sonae sobre a PT, ou pela simples luta contra a desinformação por parte do Governo, a verdade é que quanto mais tempo Sócrates se mantiver calado, pior é. E enquanto colega dele (Serei? Não serei? Nem eu sei se sou Licenciado em Engenharia ou Engenheiro, mesmo tendo tirado um curso acreditado pela Ordem. A verdade é que a comunicação entre a Ordem e os cursos de Engenharia é deficiente, para não dizer outra coisa.) ou como simples cidadão Português, e sabendo que não é preciso ser Licenciado seja em que for para ser bom seja no que for, creio que esta situação urge um esclarecimento total por parte do PM. O mais rapidamente possível.

Uma nota final para o novo cartaz que faz agora companhia ao do Partido Nacional Renovador. Genial!

Bom feriado.

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Blogs Pessoais

Ric Jo | 28 de Março de 2007
Custa-me compreender como é que uma pessoa expõe totalmente a sua vida num sítio da internet, sem qualquer tipo de controlo de visitas. Eu próprio, quando me iniciei nestas lides, o fiz de uma forma bastante exposta, não expondo só a mim mas também toda a minha família. O próprio início deste blog tem uma conotação pessoal. Demasiada pessoal. Mas à medida que os blogs vão ganhando forma, vai-se também ganhando mais um ou outro leitor, que por obra do acaso ou através de um link de um blog de um qualquer amigo em comum vão por lá parar. Na maioria das vezes, tratam-se até de pessoas que conhecemos apenas de vista ou por vezes nem isso. Acaba por ser um pouco assustador que alguém que não conheças pessoalmente, vá ao teu encontro numa qualquer noite de sábado, já desinibido pelo álcool e comece a comentar sobre a tua vida ou sobre um qualquer assunto que tem um significado particularmente importante para ti e que, na verdade, apenas querias que estivesse confinado ao teu grupo de amigos. Com o passar do tempo, o Blog que uma pessoa actualiza vai ganhando vida própria, até que acaba por ser ele a ditar as próprias regras do jogo, provocando uma perda de interesse genuíno no ofício que é Bloggar. Aí só há uma coisa a fazer: defence. Nem mais. Nem menos. E por isso limitei as entradas ao Blog dos meus familiares a quem de direito (eles próprios) e foi também por isso que deixei de me expor totalmente neste blog. Embora essa definição de exposição seja algo ambígua, pois apesar de não escrever aqui sobre onde fui hoje, o que fui fazer no último fim de semana ou se ando com algum problema de maior, acabo por me expor na mesma. Embora não de uma forma pessoal, mas de uma forma pessoal. A verdade é que aqui exponho a minha opinião e os meus gostos, podendo ser (e já o fui algumas vezes) dissecado por inúmeras pessoas que não conheço e que nunca vi na vida. Eu e os restantes Bloggers corremos, como é óbvio, o risco de nos enganarmos, de dizermos alguma asneira ou de dar um (ou vários!) pontapés na gramática (e peço desde já tolerância àqueles dados por mim neste e noutros posts… lol). Mas fazê-mo-lo porque queremos. E ao alterarmos o próprio conteúdo de um Blog por uma questão de privacidade, estamos muito provavelmente a fazê-lo de uma forma forçada. O que poderia implicar uma diminuição de sinceridade na escrita, fazendo com que as coisas saiam demasiadas forçadas. E isso por vezes acontece. Mas também acontece que por vezes apetece-me escrever aqui algo extremamente pessoal, da mesma forma como um compositor/escritor de letras de uma canção o faz e edita num álbum onde todos o podem ouvir. Mas, e apesar de aqui estar aberta à leitura de pessoas de todo o mundo, os próprios micro-grupos que se formam na Blogosfera tornam este local de horizontes infinitos, em algo bastante limitado. E isso acontece na Blogosfera Oureense. Mas não só. Acontece em todos os Micro-Grupos de Cidades, Vilas ou Aldeias onde existem um ou mais Bloggers. E é algo que, pelo menos a mim, me inibe e me leva a não fazer tal coisa.

No fundo, a Blogosfera nunca perde a capacidade de me fazer abrir a boca de espanto, dia após dia. Não apenas devido a alguns posts de grande qualidade que existem publicadas diariamente por aí, mas acima de tudo pela exposição a que várias pessoas se sujeitam, escarrapachando tudo que passa e todos que passam nas suas vidas. E apesar de estar precisamente a expor-me neste momento, embora de outra forma, não deixo de ficar chocado. E não consigo perceber tal maneira de agir. Se há aqueles que são Voyeurs, cuja observação dos outros alimenta o seu Ser, há aqueles cujo Ser se alimenta precisamente de forma inversa: ser observado. E por mais que tente, não consigo compreender este fétiche.

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Dolium - Reserva Tinto 2002

Ric Jo |

Não sou um especialista em vinhos. Longe disso. Mas esta semana tive o prazer de degustar um belo vinho tinto, de seu nome Dolium - Reserva Tinto 2002 da Eborae Vitis e Vinus, Sociedade Agrícola, Lda. - Alentejo.

Maravilha! Muito, muito bom. Number one, no que concerne a vinhos bebidos por moi. E pelo que já andei a pesquisar por aí, o seu preço nem é muito proibitivo.

Aos apreciadores de bom vinho e não só, recomendo vivamente.

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Vila Shopping [Ourém] - hoje é dia de abertura

Ric Jo | 14 de Março de 2007
Agora que a Cidade de Ourém tem um Shopping (yuppi!!), será que nos fins de semana de chuva, nós, Oureenses, iremos fazer como fazem nas restantes cidades abençoadas com Shoppings, e refugiar-nos dentro de um só espaço onde tudo podemos fazer e ver sem apanharmos uma só pinga de chuva?

Será que vamos passar esses fins de semana a coçarmos a cabeça sem sabermos se havemos de gastar o pouco guito que temos naquelas calças da Pull&Bear ou naquele casaco da Bershka, tentando ignorar aquelas sapatilhas da Prof, aquelas calças mais carotes da Levis ou da Pepe Jeans, aquele cachecol da Zara ou aquela camisola da Stradivarius?

Deixaremos descair a boca em espanto ao comparamos os preços dos CDs da Fnac, comparativamente àqueles praticados (e inflaccionados) pela Valentim de Carvalho?

Teremos nós que tapar os olhos à criançada ao passarem pela montra da Toys R’ Us, correndo sérios riscos de termos que estoirar as poucas poupanças que temos ao não fazê-lo, sob ameaça de termos que levar com muitos decibéis de choro o resto daquela tarde chuvosa?

Bateremos nós com a cabeça na parede por queremos ver aquele filme que ganhou o Óscar deste ano e que já está nas salas há algum tempo, mas também por querermos ver aquele filme com uma candidata a Óscar de melhor actriz secundária que estreou na semana passada, ali mesmo, nas 7 salas da Castello Lopes?

Iremos nós ter dilemas sobre onde havemos de almoçar? Se de uma forma saudável, na Casa das Sopas ou se de uma forma totalmente destrutiva, devorando umas belas batatas fritas e hamburgueres do Mac Donalds ou umas Pizzas de massa grossa da Pizza Hut?

Sinceramente, espero que a Cultura da Cidade não sofra com a abertura do dito Shopping, pois é muito fácil cedermos a tantas tentações num ambiente tão acolhedor e com tantas atracções, ao invés de aproveitarmos a panóplia de ofertas culturais que a Cidade oferece.

Ora, há quem se questione sobre a palavra Vila no nome do Shopping que hoje abre na Cidade Pequena. Pessoalmente, eu questiono mais ainda a palavra Shopping. Venha daí então essa tão aguardada abertura! Ah… felicidade!

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Licenciado = Ordenado mínimo

Ric Jo | 12 de Março de 2007
Como é que é possível que tenhamos chegado ao ponto de empresas oferecerem o ordenado mínimo com remuneração a Licenciados? Não é ficção. É realidade. Aconteceu a uma pessoa amiga, cujo anúncio a que respondeu pedia um Licenciado nas áreas do Marketing/Gestão/Economia. E o emprego era mesmo para um Licenciado. O ordenado oferecido é que não.
A partir do momento em que alguns Licenciados aceitam ganhar tal valor, corremos o sério risco de este tipo de oferta se generalizar no mercado de trabalho.

Se a remuneração geralmente oferecida a um Recém-Licenciado (cerca de 800€ - Estágio Profissional) já é escasso na minha opinião, mesmo para alguém que está no início de carreira e mesmo sabendo que nos devemos sujeitar ao cliché de que “tem que se começar de baixo”, pergunto como será possível aos jovens (para não falar das famílias que subsistem com um ordenado mínimo, Licenciados ou não) conseguirem pagar um empréstimo de habitação, recheio da casa, água, luz, gás, alimentação, transporte, roupas, etc etc. com cerca de 400€/mês e sem qualquer tipo de apoio do estado (por exemplo, o recém criado Porta 65, que veio substituir o arrendamento jovem, obriga os pais dos jovens a auxiliar no custos, caso tenham condições para tal)?!

Apesar de ter a noção de que a coisa está muito mal, nunca acreditei que chegássemos a este ponto. E no fundo, ao conhecer casos deste género, acabo por me sentir, de certa forma, um pouco enganado, pois o tal canudo afinal de contas acaba por não ser o meio para atingir aquele fim que todos desejamos.

Antigamente era comum ouvir os mais idosos dizerem que “isto está bom é para os jovens”. Quantos continuam a dizer tal afirmação?

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Lei anti tabaco

Ric Jo | 2 de Março de 2007
Apesar de não ser totalmente restritiva como noutros países da Europa (e na minha opinião deveria ser), o anúncio da nova Lei que proíbe o acto de fumar em alguns locais públicos agradou-me na mesma. Admito que tenho cada vez mais tendências extremistas relativamente ao tabaco e tolero cada vez menos o acto de ter que fumar passivamente, mostrando-o inclusivamente por vezes ao fumador. Sei que este tema suscita grandes divergências de opinião e podem-me acusar de querer limitar a liberdade dos outros, mas foda-se, a minha saúde e bem estar é da minha conta. E na minha opinião, tenho o direito de frequentar um local público sem ter que fumar passivamente ou ficar com a roupa a tresandar a tabaco. Se funciona sem problemas em Itália, Irlanda, Espanha e nalguns locais em Inglaterra, porque não há-de acontecer o mesmo por cá? É apenas uma questão de alteração de hábitos. E quanto mais cedo entrar em vigor, melhor.
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Um exemplo a seguir

Ric Jo |
Ainda por causa disto, há um país do Leste da Europa que tomou a iniciativa de possibilitar que todos os seus eleitores recenseados possam votar de qualquer ponto do país, ultrapassando assim a impossibilidade de votação daqueles que, no dia das eleições, se encontrem longe das freguesias onde estão recenseados.

“A Estónia tornou-se o primeiro país do mundo a permitir o voto por Internet em eleições nacionais (…) O voto é feito com um cartão electrónico que é lido por um dispositivo ligado ao computador.” [in Público de 28 Fev. 2007]

Pessoalmente, e tendo em conta os avanços tecnológicos existentes actualmente neste Mundo Globalizado, acho incrivelmente triste que só agora se comece a utilizar este tipo de solução. Somos capazes de colocar um Homem na Lua, mas não conseguimos pôr todos a votarem via Internet/ATM.

Com tanto empenho no (suposto) Choque Tecnológico do País, creio que para além de poder ser um avanço tecnológico, esta solução em Portugal poderá também ser um avanço democrático, lutando assim para o triste resultado da abstenção verificado no último referendo.

Ou então estou totalmente enganado e não alteraria nada… Estamos em Portugal. Nunca se sabe.

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Futebol visto de perspectivas (muito) diferentes

Ric Jo | 28 de Fevereiro de 2007
O que vou relatar já aconteceu há uma semana. Mas o assunto é intemporal, portanto tanto faz escrevê-lo agora como daqui a dois meses.

Apenas venho exemplificar de uma forma muito simples a maneira diferente como nós, Portugueses e eles, Ingleses, encaram um jogo de futebol.

No último fim de semana, o Man Utd venceu o Fulham em jogo a contar para a Premier League. Como ávido espectador de muitos anos da Liga Inglesa, procuro ver sempre os resumos da jornada. Idealmente na Sky ou na net. Quando tal não é possível, tento fazer ouvidos mudos às aberrações que são as (péssimas) prenuncias dos nomes das equipas Inglesas por parte dos comentadores Portugueses e vejo os pequenos resumos na RTP e/ou restantes canais Portugueses.

Acontece que no último fim de semana apanhei o resumo deste jogo em particular tanto na Sky News como na RTP N. E não podia haver uma prova tão clara da forma diferente como os dois países encaram o futebol. E é tudo muito simples.

Ambos os resumos tiveram a duração média de dois minutos. Eis os pontos focados por cada um deles:

RTP N: Começam o resumo a dizer o nome do árbitro da partida (Sr. Peter Walton). Mostraram os lances de maior perigo, os lances mais duros (alguns deles duvidosos) com direito a cartões amarelos, os três golos (obviamente que repetiram o golo de Ronaldo inúmeras vezes, mas isso é perfeitamente compreensível) e acabaram o resumo a mostrar um lance polémico que fechou a partida (possível penalty de Van der Sar sobre um jogador do Fulham);

Sky News: Limitaram-se a mostrar os maiores lances de perigo, enunciando os nomes dos jogadores protagonistas dos lances e os três golos do jogo (grande golo de Cristiano Ronaldo, por sinal);

Nestes singelos dois minutos ficaram expostas as diferenças abismais que existem relativamente às perspectivas de ambos os países em relação ao jogo do povo. Para os Ingleses, aquilo que merece ser realçado é a arte do jogo, os lances mais bonitos e aquele que é o objectivo primordial do jogo e o momento de maior êxtase: o golo. Nomes? Só dos artistas. Dos jogadores. Daqueles a quem realmente interessam aos amantes do futebol. Nem por uma vez, em qualquer resumo de um jogo de futebol na Sky News ou na BBC, por exemplo, falam do nome dos árbitros, e muito menos dão mais destaque aos lances passíveis de gerarem polémica em sacrifício da arte de bem jogar e de marcar golos. Em Inglaterra, poucos ou nenhuns são aqueles que sabem sobre a vida pessoal dos árbitros de Futebol, qual ou quais as profissões que tiveram, de onde são, etc. etc.

Em Portugal passa-se exactamente o inverso. Todos nós sabemos, por força dos programas sobre o desporto rei que por cá se fazem, qual o nome dos árbitros da Liga Bwin, quais as suas profissões no dia-a-dia, de onde são, etc. etc. Basta ver o programa “O Dia Seguinte” da SIC Notícias ou o “Trio de Ataque” da RTP N para se ouvir falar mais dos árbitros e dos lances duvidosos (e isto para não falar sobre os Dirigentes…), do que a arte do bem jogar futebol em si. A chachada de programa da TVI ao domingo à noite até vai para intervalo e regressa para uma parte intitulada “Casos”, tendo um Ex-Árbitro, Jorge Coroado, que passa o resto do programa mudo, estando presente apenas com o intuito de discutir o penalty mal assinalado ou o cartão vermelho que ficou por ser mostrado. Algo que não acontece em qualquer programa de futebol na Terra de Sua Majestade.

Um ponto de vista totalmente diferente e claramente visível num resumo de apenas dois minutos. Há muito que já não posso com jornais, programas de TV e programas de Rádio desportivos Portugueses.

Uns preferem realçar a arte do bem jogar. Outros preferem realçar os árbitros, os dirigentes e os casos. Perspectivas (muito) diferentes do mesmo jogo.

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Poetas de Karaoke

Ric Jo | 19 de Fevereiro de 2007
Não posso deixar de pensar que o Sam the Kid tem razão ao dizer , no seu Poetas de Karaoke:

“(…) Poe a gramatica em prática,
Didactica,dramaticamente citantes tecnicas
Poeticas com esteticas
Foneticas sempre atento ou surpreendente
Com metricas à frente, pa mentes cepticas e exigentes
Isto e pa todos, nao e so pa mc’s
Isto e pa tugas que nunca escrevem na língua raiz
Querem ser internacionais mas tao cá no país
E nunca sao originais sao nova york ou paris
Sempre fui d.dinis vocês sao d’onde der mais jeito
Onde houver mais fama e proveito
E se houver mais grana é aceite
E se houver uma dama com bom peito pensam que isso da respeito…
Confere e confirma a afirmaçao vocês nao acordam
Que eu condeno a vossa causa falsa que vocês abordam
Contratos sao assinados com condiçoes que nao concordam
E as gravatas ficam gratas
Pelos escravos que as engordam
Nao ha credibilidade na performance
O microfone nao ta ligado isso pra mim é nonsense
Nao percebo o vosso ponto no meu som ponho censo
Porque eu escrevo como falo,como sonho,como penso… (…)”

E isto não porque concorde ou deixe de concordar com ele. Simplesmente me vem este pensamento à cabeça quando oiço que bandas como os The Gift ou os EZ Special (não sou fã de nenhum, mas chamaram-me a atenção os títulos dos novos registos), bandas que nunca cantaram na Língua de Camões, agora gravam na nossa língua. Questiono-me porquê. Será pela verdadeira paixão deles pelo Português, que se sobrepôs àquela pelo Inglês? Ou será antes para seguirem a (nova?) tendência do mercado, liderado pelos Sams the Kids e Companhia, onde o Português parece vender mais que o Inglês? Seja como for, e apesar de não ouvir nenhuma das bandas que referi, não posso deixar de sentir um pouco de hipocrisia ligado a estas conversões. Soam-me nitidamente e em Português. Soam-me a…

falso
do Lat. falsu

adj.,
contrário à verdade ou à realidade;
pérfido;
fingido;
hipócrita;
desleal;
errado;
ilusório;
aparente;
falsificado;
adv.,
com falsidade;
de modo falso;
adj., pop.,
sítio recôndito para servir de esconderijo;
gír.,
buraco de fechadura.

loc. adv.,
em -: em vão.

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