Do you see what I see?
Ric Jo | 18 de Fevereiro de 2010Estes senhores que jocosamente criam cortinas de fumo de forma diária, num país que ainda não caiu na sua própria realidade dura, ou são muito ingénuos ou então bastante cegos. O anúncio de ontem em que gabava que o contracto de confiança com as universidades permitirá que mais 100 mil pessoas obtenham, em quatro anos, qualificações no ensino superior só pode ser levado com uma boa dose de humor. Querer criar a ilusão de que esta será uma solução positiva para um país cujo tecido empresarial não consegue já sequer absorver a quantidade actual de licenciados é de muito mau gosto e demonstra que mais do que querer seriamente resolver os problemas avassaladores do desemprego no país, o governo está apenas interessado em ticking boxes, cumprindo com os números com que com certeza um dia se comprometeu. Só que Portugal não são números. Portugal são pessoas que vivem numa realidade que os senhores ministros desconhecem e teimam em continuar a não conhecer.
Um homem contenta-se com pouco
Ric Jo | 12 de Janeiro de 2010
Produce of Portugal*
Monte Velho. Esteva. Casal Dos Frades. São três nomes que me acompanharam no regresso a Londres. E apesar de haverem nomes portugueses de maior beleza, estofo, requinte ou fama, estes três, singela e humildemente expostos ali em cima do balcão da cozinha, provocam-me um riso maroto de cada vez que olho para eles. Vão me proporcionar uns belos momentos de prazer. Tá-se mesmo a ver. Seus malandrecos.
Venha o Chile, Argentina ou a Califórnia. Não há sulfito que me contente tanto como o dos Portugueses. E olhem que bem me tenho andado a esforçar no último ano para contrariar tal sentimento. Mas não vale a pena. What’s a man gonna do? Ceder. Nada mais.
* É uma pena que alguém que perceba de Inglês finalmente tenha informado a quem de direito que a dita frase estava mal escrita. Depois de tantos anos, uma pessoa já estava afeiçoada ao erro.
Merry Christmas
Ric Jo | 24 de Dezembro de 2009A temperatura amena que se sente aí nas ruas engana o instinto natalício natural. A ausência (justificada) de luzes de Natal na Cidade Pequena também. Mas hoje é mesmo mesmo Natal e é tempo de estar com a família e com os amigos que regressam à base por uns singelos dias. Não houvesse outra razão, a reunião com estas pessoas são por si só razão mais que suficiente para celebrar esta quadra do ano. Venha daí então o bacalhau, as prendas e o convívio (ie, bombansso) local, pois este ano o Natal estende-se até a madrugada de domingo.
Beats para ouvir em repeat nas próximas 72 horas:
Bob Dylan – Christmas In The Heart
Julian Casablancas – I Wish It Was Christmas Today
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Um feliz Natal a todos.
Voltar
Ric Jo | 18 de Dezembro de 2009Chegou a hora de voltar por breves instantes. Chegou a hora de deixar para trás a neve e a condução à esquerda, trocando-os pelos tremores de frio e de terra e a condução à direita. Chegou a hora de trocar os hellos pelos olás e os thanks pelos obrigados. Chegou a hora de estar novamente junto daqueles que são meus, deixando para trás aqueles que meus também são.
Mas por aqui também continuarei a voltar durante esta quadra.
See you later. Até logo.
Foto de Nuno Abréu
Portugal profundo
Ric Jo | 27 de Novembro de 2009O Portugal real ou Portugal profundo foi tema dominante por cá esta semana. Que se aprecie a verdadeira beleza desse Portugal profundo (a minha parte favorita desse belo país) ao som da versão rendition do ‘Hotel California’ feito pelo Pedro Cruz (auscultadores recomendam-se). Slideshow da Serra do Gerês de rvanhegelsom. Bom fds.
['Hotel California' - The Eagles Rendition por Pedro Cruz]
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Portugal real
Ric Jo | 25 de Novembro de 2009Este minuto e cinquenta e quatro segundos são quanto baste para se demonstrar de forma clara, o quão atrasado, retrógrado, bisbilhoteiro e de mentalidade fechada Portugal é. Tão mau é o facto de a notícia sê-lo na RTP como é a reacção daquela gente do Portugal real.
O último uivo do Lobo
Ric Jo | 1 de Novembro de 2009Morreu hoje de madrugada a maior referência de rádio de Portugal. Um grande senhor do éter, que com a sua inconfundível voz e bom gosto, educava e dava a conhecer o que de melhor se fazia num mundo do rock através da suas fabulosas playlists. Acompanhava-o desde dos tempos da ‘Hora do Lobo’ nas madrugadas da antiga Rádio Comercial e foi uma alegria enorme o dia em que ele assinou pela melhor rádio do mundo. Estando longe de Portugal, infinitas foram as madrugadas que passei ao lado de António Sérgio no ‘Viriato 25′. Imensas. O António Sérgio era a minha ligação diária a Portugal e à boa música àquela hora da noite. Agora quando chegar o dia de ligar a minha rádio às 23h e não ouvir a voz do Lobo, nem sei bem como vou reagir. A certeza é uma: o António Sérgio é a maior referência de rádio em Portugal. De uma rádio imune a lóbis e números, que fazia as pessoas pensar e que educava. Uma rádio que a partir de hoje deixou de existir.
Faleceu a minha maior referência radiofónica. Mas o seu legado, esse ficará para sempre. Descanse em paz.
Hi, how are you doing?
Recuperarte – salvando o azulejo
Ric Jo | 28 de Outubro de 2009
Apresentado na revista ‘Pública’ do passado domingo com o nome ‘Salvar azulejos com uma lata de spray’, um artigo sobre um artista de rua que tenta chamar a atenção para o triste delapidar de um dos maiores marcos da cultura Portuguesa na cidade de Lisboa – o azulejo. Refém de ladrões que os removem das paredes para depois os vender na Feira da Ladra, o projecto ‘Recuperarte’ utiliza o street art em forma de stencil para chamar a atenção para um grave problema que urge ser resolvido. O melhor de tudo é que Maria d’ Almada (pseudónimo) não é profissional da street art. Faz isto de forma amadora, por amor ao street art e acima de tudo, por amor ao património importante que é o azulejo. E faz ela muitíssimo bem.
Da terrinha
Ric Jo | 15 de Outubro de 2009Para um país que caracteriza o imigrante Brasileiro de putedo e criminoso, acho o alarido todo à volta do polémico vídeo de Maitê Proença de uma hipocrisia enorme.
Mas afinal quem perdeu?
Ric Jo | 28 de Setembro de 2009É que ao escutar todos os discursos de todos os cabeças de lista de todos os partidos que elegeram deputados, parece que todos ganharam. Ou melhor, ninguém perdeu. Uns porque apesar de não ser maioritária, conseguiram a vitória depois da derrota nas Europeias. Outros porque os primeiros não venceram com maioria absoluta. Aqueloutro porque conseguiu roubar a maioria absoluta aos primeiros, subindo ao mesmo tempo o seu número de votos. E os restantes dois, porque subiram de número de votos, sendo que um deles se afigura porventura como opção única (e perversa) para governo maioritário em coligação.
Bom, ao menos são todos felizes. Resta saber se Portugal também o estará daqui a quatro anos. E já agora, correndo o risco de estar a errar ao declarar isto (porque não fiz a pesquisa para comprovar o que vou agora escrever), teremos porventura o maior número de deputados socialistas trotskistas e marxistas de todos os países europeu ocidentais. E a ver os casos onde o socialismo prevalece mundo fora, não será porventura grande auguro. Corrijam-me se estiver enganado.
Foto do jornal Público.
Picando o Ponto
Ric Jo | 26 de Agosto de 2009Não estava para aqui vir durante estas duas semanas, mas net com downloads ilimitados apenas por se aderir ao débito directo, é de homem. Fiquei positivamente surpreendido com esta solução da Sapo. Se bem que, no estado actual das coisas, um débito a 30 dias já é uma sorte cobrar, quanto fará um débito directo. Daí a oferta boa, pois claro. Upa.
E Agora Vou-me Retirar
Ric Jo | 21 de Agosto de 2009Durante as próximas duas semanas, o último sítio onde terei a cabeça será por estes lados. Família, amigos, os Castelos, cheiros e sabores da terra. É por lá que terei a cabeça.
See you around.
Are You Kidding Me?
Ric Jo | 10 de Agosto de 2009Três semanas na rede é muito tempo. Acontece muita coisa. Estando três semanas ausente dela, muitas coisas passam-nos ao lado, obviamente. Em três meses em Portugal, muita coisa pode acontecer, é certo. Três meses de ausência de Portugal leva também a que se perca por vezes o fio à meada a certas coisas. Mas Portugal é sempre Portugal e a coisa mantém-se a modos que contante, sem grandes surpresas em perspectiva. Mas por favor, digam-me que isto não aconteceu, que é brincadeira de mau gosto de alguem que domina a arte das montagens. Mesmo que a revista em questão tenha uma qualidade muitío duvidosa, há certos riscos que não se pisam.
¡Hala Portugal!*
Ric Jo | 7 de Julho de 2009Ver 80 mil espanhóis a prestarem vassalagem a um português não deixa de ter um sabor deveras interessante e, quiçá, sobranceiro.
*ou nacionalismo fácil
Photo credit: Marca
Portuguese man in England
Ric Jo |
Andando ontem na rua com uma camisola da selecção portuguesa, acabado de fazer jogging, dois senhores claramente à procura de algo, vendo-me com a camisola das quinas sobre o dorso, olharam um para o outro como quem diz “Este de certeza que sabe…”. Vindos então em minha direcção, lançaram-me a questão: “Onde é que fica o ‘Nandos’*?”. E sabia mesmo, mas por mero acaso. Ou será que por ser Português e estar identificado como tal, teria uma base de dados de todos os Nandos da zona? Ainda para mais, tratando-se de frango assado bem abaixo da qualidade de uma qualquer tasca Portuguesa, in my opinion.
*franchise de restaurantes de comida portuguesa em Inglaterra (e não só).
Tonight I could’ve done with…
Ric Jo | 6 de Julho de 2009Tonight I could’ve done with the sound of crickets. That non-stop song that I truly love, that tells you when the sun has come to stay during the day and when the mosquitoes have come to play during the night. I could’ve done with a breath of fresh pine-tree air. Maybe two or three. Those kind of deep, deep breaths you take that make you feel like you’ve just cleansed your lungs, extracting all that air that makes the tissue you blow your nose with completely black at the end of the day. I could’ve done with the sound of guitar strings being plucked, as if both them and the crickets were part of an orchestra, romantically and naturally combining themselves into one big beautiful concerto. I could’ve done with the interruption of such a beautiful harmony once in a while, by the sound of a Macal riding down the rural roads that lead to a scarce number of houses, all wrapped around a blanket of green pine-trees. Tonight I could’ve done with being able to look up into the dark and actually seeing all the stars in the summer sky, sparkling proudly and brightly. I could’ve done with that cold summer night breeze that sometimes shows up, touching the skin of my face whilst my eyes get lost at the view of Venus and Jupiter. Tonight I could’ve done with all this, accompanied by the taste of home-made bread, baked in a home-made wood oven, a slice or two of home-made cheese and home-made red wine done with the help of the hands that typed this text.
Tonight I could’ve done with a bit of Portugal.
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[This post's soundtrack - I Want by Cat Power - Singing For Trees]
Ryanair vai abrir base no Porto
Ric Jo | 2 de Julho de 2009
Excelente notícia, a de que a Ryanair finalmente vai assentar arraiais no Aeoroporto de Pedras Rubras, Porto (naquele que é, sem dúvidas, um dos melhores aeroportos da europa). A abertura de mais uma das suas bases está para breve e perspectivam-se assim ainda mais vôos de e para o Porto a preços ainda mais competitivos. Excelente também a notícia do interesse da empresa irlandesa em voar para Lisboa no futuro. Está mais que visto que ter acessos de low-costs a determinadas cidades é determinante para o desenvolvimento do turismo local e permite a emigrantes tugas como eu, muitas mais opções competitivas para ir picar o ponto a casa de forma mais regular. No meu caso particular, Braga ficou ainda mais perto. Oh yeah.
Governo não injecta dinheiro público no BPP
Ric Jo | 10 de Junho de 2009Apesar do provável sabor justificado a injustiça, dado o que aconteceu com o BPN, não haver injecção de dinheiro por parte do Governo no BPP não é, de forma justa, deixar o mercado funcionar? Não se sabe de antemão que quando se deposita dinheiro numa instituição bancária privada corre-se sempre o risco desta falir e se perder o dinheiro?
Oi?
Ric Jo | 5 de Junho de 2009Venha daí então o neo-liberalismo, que ainda não deu merda o suficiente. Fala-se mais na Europa na campanha das Europeias por estes bandos, onde se sabe que há uma grande tendência anti-europeia, do que em solo Português, onde só se servem destas eleições para lavagem de roupa suja. Acabar com o socialismo em Portugal? Acabem mas é com a larga maioria das tristes forças políticas que temos a reger o país e a oposição.


















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